cassino spin-Como a evolução transformou os gatoscassino spinanimais solitários

7 mai 2017 - 14h39
(atualizado às 16h09)

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Quão difícil pode ser domar um gato? Pergunte a Daniel Mills, professor de Veterinária comportamental na Universidade de Lincoln (Reino Unido). Em um estudo recente, Mills ecassino spincolega Alice Potter comprovaram de modo científico o que já se sabia na prática: gatos são mais autônomos e solitários do que os cachorros.

Para os gatos, os benefícios da vidacassino spingrupo não compensam ter que dividir comida
Para os gatos, os benefícios da vidacassino spingrupo não compensam ter que dividir comida
Foto: Pixabay / BBC News Brasil

Apesar de envolver a já famosa reputação dos gatos, executar essa pesquisa foi mais difícil do que poderia parecer.

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"Eles são complicados se você quer que façam algo de uma certa maneira", diz Mills. "Eles tendem a fazer o que querem."

Donos de gatos do mundo inteiro irão concordar. Mas por que exatamente os gatos são tão relutantescassino spincooperar, seja entre si ou com humanos? Ou, perguntando de outra forma, por que tantos outros animais - domésticos ou selvagens - têm espírito de equipe?

A vidacassino spingrupo é comum na natureza. Pássaros formam bandos e peixes, cardumes. Predadores frequentemente caçam juntos. Até mesmo o leão, parente do gato doméstico, vivecassino spingrupo.

Para as espécies que são caçadas por outras, obviamente há uma estratégia de maior segurançacassino spinum bando. "Chama-se efeito de diluição", diz o biólogo Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA).

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"Um predador só consegue matar um, e se há cem da mesma espécie isso reduz as chances de cada um deles ser pego para 1%. Mas se você estiver sozinho você será escolhido 100% das vezes."

Zebras atravessam riocassino spingrupo na África
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Animaiscassino spinbando também se beneficiam do efeito "muitos olhos atentos": quanto maior o grupo, é mais provável que alguém perceba um predador se aproximando. "E quanto mais cedo você detectar o predador, mais tempo tem para iniciar a fuga", diz Jens Krause, da Universidade de Humboldtcassino spinBerlim, Alemanha.

Essa vigilância coletiva traz outras vantagens. Cada um pode gastar mais tempo e energia procurando por comida. E não se trata apenas de evitar predadores. Animais que socializamcassino spingrupos não precisam perambularcassino spinbusca de companheiros, o que é um problema para espécies solitárias que vivemcassino spinterritórios amplos.

Uma vez que se reproduzem, muitos animais que vivemcassino spingrupo adotam a máxima "é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança", com os adultos trabalhandocassino spinequipe para proteger ou alimentar os mais novos.

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Em várias espécies de pássaros, como a zaragateiro-árabe de Israel, os pequenos permanecemcassino spingrupos de familiares até que eles estejam prontos para procriar. Eles dançamcassino spingrupo, tomam banho juntos e até trocam presentes entre si.

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Princípio 'Volta da França'

Vivercassino spingrupo também poupa energia. Os pássaros que migram juntos ou os peixes que vivemcassino spincardumes se movimentam com mais eficiência do que os mais solitários.

É o mesmo princípio que os ciclistas da Volta da França utilizam quando formam um pelotão. "Os que estão mais atrás não precisam investir tanta energia para atingir a mesma velocidade de locomoção", diz Krause.

Como pinguins e morcegos podem atestar, a vida pode ser mais calorosa quando se vive cercado de amigos.

Os pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri) se agrupam para suportar o frio
Foto: Alamy / BBC News Brasil

Com tantos benefícios, pode parecer surpreendente que qualquer animal rejeite seus companheiros. Mas, como os gatos domésticos demonstram, a vidacassino spingrupo não é para todos. Para alguns animais, os benefícios da coletividade não compensam ter que dividir comida.

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"Chega a um pontocassino spinque se alimentar com outros indivíduos com grande proximidade reduz acassino spinquantidade de alimento", diz John Fryxell, biólogo da Universidade de Guelph, no Canadá.

Um fator-chave para essa decisão é ter alimentação suficiente, o que depende de quanta comida cada animal precisa. E os gatos têm um gosto caro. Por exemplo, um leopardo come cerca de 23 kg de carnecassino spinpoucos dias. Para gatos selvagens, a competição por alimentos é cruel, e por isso leopardos vivem e caçam sozinhos.

Há uma exceção à regra de felinos solitários: leões. Para eles, é uma questão territorial, diz Packer, que passou 50 anos decassino spinvida estudando os leões africanos. Alguns locais da savana têm emboscadas perfeitas para a caça, então controlar esse lugar resultacassino spinuma vantagem significativacassino spintermos de sobrevivência.

"Isso impõe sociabilidade porque você precisa de equipes para dominar seu bairro local e excluir outros times. Assim, o maior time vence", diz Packer.

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O que torna essa vidacassino spingrupo possível é que a presa de um único leão - um gnu ou uma zebra - é grande o bastante para alimentar várias fêmeas de uma vez só. "O tamanho da caça permite que eles vivamcassino spingrupos mas é a geografia o que realmente os leva a vivercassino spingrupos", diz Packer.

Não é a mesma situação dos gatos domésticos, já que eles caçam animais pequenos. "Eles vão comê-lo inteiro", diz Packer. "Não há comida o suficiente para dividir."

Gatos comem um rato inteiro por vez, sem possibilidade de dividir
Foto: Life on white/Alamy / BBC News Brasil

Domesticação

Essa lógica econômica está tão integrada ao comportamento dos gatos que parece improvável que até mesmo a domesticação tenha alterado essa preferência fundamental por solidão.

Isso é duplamente verdade quando você levacassino spinconsideração o fato de que os humanos não domesticaram os gatos. Em vez disso,cassino spinseu próprio estilo, os gatos domesticaram a si mesmos.

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Todos os gatos domésticos são descendentes dos gatos selvagens do Oriente Médio (Felis silvestris), o "gato-do-mato". Os humanos não coagiram esses gatos a deixar as florestas: eles mesmos se convidaram a entrar nos alojamentos de humanos, onde havia uma quantidade ilimitada de ratos ao seu dispor.

A invasão a essa festa de ratos foi o início de uma relação simbiótica. Os gatos adoraram a abundância de ratos nos alojamentos e depósitos e os humanos gostaram do controle grátis da infestação de ratos.

Os gatos domésticos não são completamente antissociais. Mascassino spinsociabilidade -cassino spinrelação a outro humano ou entre eles - é determinada inteiramente por eles,cassino spinseus próprios termos.

"Eles mantêm um nível alto de independência e se aproximam de nós apenas quando querem", diz Dennis Turner, especialistacassino spincomportamento animal no Instituto de Etologia Aplicada e Psicologia Animalcassino spinHorgen, Suíça.

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"Os gatos desenvolveram muitos mecanismos para se manter à parte, o que não os conduz para a vidacassino spinbando", diz Mills. Os gatos marcam seu território para evitar encontros constrangedores entre si. Se eles acidentalmente se toparem, os pêlos são levantados e as garras saltam para fora.

Gatos domésticos têm uma tendência a brigar
Foto: blickwinkel/Alamy / BBC News Brasil

Em determinadas circunstâncias pode parecer que os gatos domésticos adotaram a vida coletiva, como quando um grupo vive juntocassino spinum galpão. Mas não se engane. "Eles têm laços muito frouxos e não têm uma identidade real como grupo", diz Fryxell. "Eles só gostam de ter um lugar comum para deixar seus filhotes."

Aliás, mesmo diante de um grande perigo, quando eles se unem para se defender, é pouco provável que os gatos colaborem entre si. "Não é que algo que eles tipicamente façam quando se sentem ameaçados", diz Monique Udell, bióloga da Universidade de Oregon (EUA).

Os gatos simplesmente não acreditam na força de um grupo. Tudo isso ajuda a explicar por que os gatos têm a reputação de dominação impossível. Ainda assim, há evidências de que o desprezo dos gatos pela vidacassino spingrupo possa ser uma fraqueza.

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Caixa-preta da menta felina

Um estudo publicadocassino spin2014 no periódico científico Journal of Comparative Psychology investigou os traços de personalidade dos gatos domésticos. A conclusão foi que manter-se solitário e desinteressado torna os gatos neuróticos, impulsivos e resistentes a ordens.

Curiosamente, no entanto, os gatos domésticos parecem capazes de cooperar um pouco mais que seus parentes selvagens. Quando os pesquisadores compararam o gato doméstico a quatro selvagens - o gato selvagem escocês, o leopardo-nebuloso, o leopardo-da-neve e os leões africanos -, os gatos domésticos foram os que mais se aproximaram dos leõescassino spintermos de personalidade.

Leoas vivemcassino spingrupo, diferentemente de outras espécie de felinos
Foto: Africa Photobank/Alamy / BBC News Brasil

É preciso dizer que os gatos domésticos trilharam um longo caminho a partir de seus ancestrais até aquicassino spintermos de tolerar a companhia um do outro. Mesmo que gatos morandocassino spingalpões formem laços frouxos, eles ainda demonstram um nível impressionante de aceitação da presença do outro nesses espaços confinados.

Em Roma, cerca de 200 gatos vivem lado a lado no Coliseu, enquanto na ilha de Aoshima, no Japão, o número de gatos supera o de pessoascassino spinuma proporção de seis para um. Essas colônias podem não ter tanta cooperação, mas estão bem avançadascassino spinrelação ao passado solitário dos gatos domésticos.

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Enquanto isso, pode ser mais fácil para pesquisadores encontrar os gatos "no meio do caminho" ao realizar seus experimentos, fazendo certas concessões.

Quando Udell fez suas primeiras experiências com gatos, enfrentou uma série de dificuldades ao tentar motivar suas cobaias a participar de certa atividade. Ela já havia trabalhado com cachorros, que estariam dispostos a fazer qualquer coisacassino spintroca de um petisco.

Os gatos, contudo, eram mais exigentes. Com o passar do tempo, Udell percebeu que teria mais sucesso se desse aos gatos a opção de escolhercassino spinrecompensa.

"Acho que parte do desafio é o quanto sabemos sobre os gatos", diz. Se os cientistas começarem a entrar na caixa-preta que é a mente felina, a domesticação à força pode ser substituída por uma coerção mais astuta.

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"Muito do comportamento animal - incluindo uma afinidade ou resistência à domesticação - é profundamente ligado ao circuito neural. Portanto, parece pouco possível deixar para trás anos de seleção natural", diz Fryxell.

"Mas quem sabe? Obviamente, leões conseguiram essa proeza, então deve ser possível que mutações ocorram", diz ele. "E se eles conseguiram fazer isso, talvez domesticar gatos não seja uma ideia tão maluca, afinal de contas."

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Fontes de referência

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